Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2018

Foram escoriações leves

Era fim de ano e eu estava muito animada. Ansiosa como sempre me assentei “colada” à porta do caminhão. Saímos com o horário apertado. Faltava pouco para o inicio do ensaio. O ano era 1991. Eu tinha nove anos de idade e cursava a terceira série do ensino fundamental. Meu pai era proprietário de um comercio de materiais para construção. Ele tinha um caminhão caçamba que usava para carregar areia, brita e outros materiais pesados. Eu e meus irmãos amávamos brincar no caminhão. Era uma aventura.  A escola faria uma apresentação de fim de ano naquele dia. Uma das músicas que estavam ensaiando para a apresentação era do cantor Roberto Carlos “O Calhambeque” e "Biquíni de Bolinha Amarelinha" da banda Blitz. As meninas se vestiriam com saias rodadas e usariam luvas e óculos escuros. Os meninos jaquetas jeans e óculos escuros. Estavam todos animados. E eu apesar de não participar da dança, seria chamada ao palco para pegar o meu “diploma” de terceira série. Estava orgulhosa da minha …

Tudo mudou desde então

Após ouvir do dirigente do culto uma menção sobre a vida de José, personagem bíblico de uma história marcante, fiz uma pequena anotação em meu bloco de notas. Sabia então que a próxima mensagem a postar aqui no blog seria sobre José. Eu amo a história deste homem e com ela aprendo muito sobre o agir de Deus.   Rejeitado pelos irmãos, vendido como escravo, serviçal na casa de Potifar, preso injustamente, vidente no cárcere... Quantas situações ele viveu! Depois de saber a história completa eu gosto do que leio. Aprecio o mover de Deus e como ele age diferente daquilo que pensamos ou imaginamos. José foi um sonhador incompreendido. Talvez tenha se adiantado em revelar seus anseios. Ele assim como muitos de nós não imaginava o que seus desejos poderiam provocar nas pessoas ao seu redor. Mesmo assim não deixou de sonhar. Ele pensava grande.Sua vida virou do avesso quando seus irmãos o tomaram por insolente. O jogaram na cisterna. Depois o tiraram de lá para vendê-lo aos mercadores. Livraram…

O dia em que eu fugi de casa

Você conhece esta história? Então, foi mais ou menos assim que tudo aconteceu: Eu e minha prima brincávamos no quintal da casa da minha avó. Quantos anos nós tínhamos? Oito? Nove? Não me lembro. Minha avó era uma mulher vaidosa. Ela cuidava bastante da sua aparência e saúde. As embalagens dos cosméticos que ela usava viravam nossas ‘panelinhas’ após o descarte. E era com aqueles potinhos que estávamos brincando naquele dia. Dentro de casa os adultos se dividiam entre homens na sala assistindo provavelmente uma corrida de formula 1, quando Ayrton Senna ainda brilhava nas pistas, e mulheres na cozinha conversando e preparando o almoço de domingo. Nós duas estávamos entediadas. Não queríamos mais brincar com os potinhos de antitranspirante Pierre Cardin (nossa isso soa pré-histórico né?) ou potinhos de alumínio de creme Nívea. Então tivemos uma ideia. Decidimos que deixaríamos os adultos na casa da minha avó e iriamos sozinhas para a minha casa. Eu achava que não teria problemas em achar o ca…

Pesado...

Este ano começou trazendo algumas notícias tristes para o meu meio de convívio; doenças comportamentos estranhos e morte. Seria ótimo se tivesse começado diferente. O interessante é que estes desafios da vida nos leva a refletir melhor sobre o que temos feito como temos feito, com quem e onde temos feito e para onde nossas ações nos levarão? Qual será o nosso destino? São situações adversas que nos tira do conforto e nos faz querer ser e fazer melhor. A bíblia tem um verso que sempre me deixou muito reflexiva. “O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria”. Eclesiastes 7:4 Ou noutra versão: É melhor estar na casa onde há luto do que na casa onde há festa. Estas palavras me fazem analisar os fatos. Quem deseja ser melhor quando se está comendo, bebendo, dançando e festejando? Qual é o individuo que pensa no proposito da vida quando está numa festa? Por outro lado, quem é que não pensa sobre isso quando está numa casa onde há luto? O que mais acon…

O projeto executivo de Deus

Trabalhando com projetos a quase dez anos tenho aprendido o quanto é importante ser prudente no desenvolvimento de um conceito.  Temos vários recursos para colocar no papel as muitas ideias que vem à mente num processo criativo. Porém, o amadurecimento de uma ideia é um processo muito criterioso. É preciso avaliar e excluir qualquer possibilidade de erro. E assim mesmo um projeto definido pode apresentar falhas na execução. É muito frustrante quando isso acontece porque do projeto à execução há um intervalo considerável e um trabalho intenso. Todo esse pensamento sobre projeto versos execução me leva a refletir sobre os propósitos divinos. Deus é um Deus de propósitos. Ele é excepcional em tudo o que faz e me falta palavras para descrever suas ações. Diferente de um designer Deus não comete erros. Uma das razões para isto é que Ele conhece o fim antes do começo. “Lembrai-vos das coisas passadas desde a antigüidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante…

Tranquilidade em meio a tempestade

Terça-feira à tarde começou um temporal em minha cidade. Eu estava no escritório trabalhando prestes a terminar o expediente. Eu podia ver pelas janelas que a chuva estava acompanhada de muito vento. Não me passou pela minha cabeça o que viria a seguir. Despedi-me dos colegas de trabalho e me encaminhei para o estacionamento. Era preciso encarar o temporal. Entrei no carro e sai. A chuva realmente estava muito forte. Já nos próximos 500m eu percebi que os motoristas estavam acionando o pisca alerta dos carros. Eles estavam parando porque não dava para atravessar uma das principais avenidas da cidade. Não tive opção. Liguei o pisca alerta e parei o carro. As palhetas limpadoras de para-brisa estavam frenéticas. A água da chuva tinha tomado toda a via de acesso principal daquele cruzamento. A enxurrada estava chegando próximo de onde havia parado o carro. Ventava muito e a chuva não dava trégua. Muitas vezes ouvi de problemas com chuva neste mesmo cruzamento onde eu estava. O histórico,…

Como está seu repertorio?

Dias atrás eu e minha irmã tivemos uma conversa sobre repertorio. Naquela conversa especificamente falávamos a respeito de sobremesas. Pois é. Um assunto que talvez não lhe chame muito a atenção. Estávamos felizes porque ao pontuarmos nossos conhecimentos chegamos à conclusão de que sim, nós temos um bom repertorio, pelo menos acima da média de pessoas que não atuam na área da confeitaria.  O mais interessante sobre o repertorio é a experiência adquirida. E falando de sobremesas é necessário executar receitas diferentes para obter um bom repertorio. Quais as receitas mais comuns nos lares brasileiros? Pudim de leite condensado? Uma delícia né? Ou seria a mousse de frutas? Também gosto. Aliás, difícil não gostar de doces. O que dizer do brigadeiro? Com quantos anos aprendemos fazer esta receita tradicional aqui no Brasil e exportada para o mundo?  Então em média quantas sobremesas uma pessoa comum (que não tem uma formação acadêmica em confeitaria) sabe fazer? Quatro a cinco?  Tudo bem. N…

Cheiro de Eucalipto e uma Gota de Esperança

Recentemente meu lugar de trabalho foi alterado e passei a fazer um caminho diferente para chegar até lá. O novo endereço me faz passar à margem de um parque da cidade onde se tem uma reserva ambiental considerável. Passando por este caminho é difícil ignorar o cheiro suave de eucalipto que exala do parque. O cheiro é inconfundível e me traz à memoria boas lembranças. Estudei meu ensino fundamental numa escola próxima à UFU (Universidade Federal de Uberlândia). O terreno da universidade, na época, era todo cercado por eucalipto. Eu e meus irmãos voltávamos a pé da escola para casa. Podíamos sentir o cheiro de eucalipto por todo o caminho. Era um cheiro muito bom. Aqueles eucaliptos que contornavam a universidade formavam uma barreira visual e quem estava de fora não conseguia ver muita coisa do que se passava do lado de dentro. Sempre que passava por ali eu ficava imaginando como seria estudar na universidade. Eu pensava: um dia vou estudar aqui. O tempo passou e eu mudei de escola para…

Manancial no deserto

A bíblia é o livro mais lido do mundo. Sua leitura, no entanto não é a das mais fáceis. Se você é uma das pessoas que já leu a bíblia completa certamente já teve dificuldade de prosseguir com a leitura ao se deparar com as genealogias, leis e números. Com sua linguagem variada (literal, figurada e parábolas) a bíblia é um livro impressionante e completo. Suas palavras são inspiradas por Deus e ela é sem sombra de dúvida uma fonte de orientação para nós.  Comecei o ano disposta a ler novamente a bíblia por inteiro. Porém, desta vez me propus a ler a versão em castelhano (Reina Varela). E como esperado, ao me deparar com as genealogias comecei a ter dificuldade de leitura (agora não apenas pelas repetições, mas também pela complicação do idioma).  Colocando as dificuldades de lado prossegui. É intrigante como cada leitura pode revelar algo novo. Um detalhe que antes havia passado despercebido pode ser encontrado e tornar a leitura muito mais interessante. É possível encontrar esses det…

Aumente seu repertório

Sempre aos domingos, quando eu e meus irmãos éramos crianças, íamos com meu pai em uma praça da cidade para brincar. Era muito bom aproveitar o parquinho feito com madeira pintado com cores vibrantes instalado na areia. Às vezes se acomodava naquela praça um parque itinerante com brinquedos como carrossel e roda gigante. Obviamente ali era um ponto importante para os comerciantes que montavam suas barraquinhas de lanches e brinquedos. Era comum ver aquelas bolas gigantes e coloridas por todo o lado. Meus irmãos ficavam bastante animados com os brinquedos mais “emocionantes”. Eles sempre queriam aproveitar a roda gigante. Ao contrario deles eu preferia algo mais “leve”, não gostava de “aventuras”. Enquanto eles arrastavam meu pai para a fila dos brinquedos eu tentava ganhar uma bola gigante. Era assim todas as vezes, eles em busca de aventura e eu me contentando em ganhar uma bola. O fato era que a bola me permitia ficar em minha zona de conforto. Não sei você, mas eu sempre preferi f…

Fases

Por muitos anos eu dependi de transporte publico. O fato de andar de ônibus, frequentar pontos e terminais de ônibus, dividir o mesmo espaço com muitas pessoas desconhecidas e passar diariamente por desconfortos, me inspirou a escrever diversas reflexões. Foram inúmeras as vezes que tive que correr para não perder o transporte coletivo, em dias de chuva me molhei com a água lançada pelas rodas dos ônibus, em dias de calor enfrentei o mau cheiro dos trabalhadores e passageiros dentro do automóvel e foram realmente muitas experiências adquiridas ao longo dos anos. Passei pelo processo de habilitação. Minha pauta durou 5 anos numa autoescola. Só consegui passar na quarta tentativa. Depois de passar e com a minha CNH em mãos andei ainda muito tempo de ônibus. Eu sabia que na minha carteira estava minha habilitação para dirigir e esperava pelo transporte coletivo com muita esperança de um dia ter o meu carro. O tempo passou. Sempre passa! Graças a Deus que passa! Finalmente adquiri o meu ca…

Um recurso superior

Lembro-me de uma noite quando estávamos para dormir e minha irmã mais velha, que dividia o quarto comigo, começou a chorar de medo. Morávamos rodeados por terrenos baldios. Ela dizia ter ouvido barulhos e se recusava a dormir. Então meu pai se levantou, foi até ao nosso quarto, pegou minha irmã pela mão e a levou para fora de casa na direção de onde ela supostamente havia escutado o barulho. Meu pai sabia que não tinha nada de errado lá fora e queria provar para minha irmã que aquele medo era sem razão. Era sempre assim, ele nos incentivava a encarar o medo, num parque de diversões a encarar uma ‘montanha russa’ ou no mar a encarar as ondas ou numa mureta a pular nos braços dele. Crescemos desafiados a encarar o medo e a não nos rendermos à primeira dificuldade. Minha mãe nos ensinou a encarar os desafios emocionais. Ela literalmente nos ensinou como “engolir o choro”. E quando a situação ultrapassava os recursos humanos ele e minha mãe não deixavam de nos incentivar. Eles nos apresentaram um recu…

Ponderações necessárias

Um dos primeiros textos ‘reflexivos’ que escrevi, espontaneamente, teve como título “Castelos
de areia”. Lembro-me de ter sentado na calçada da minha casa com um caderno na mão e
muito pensamento fluindo pela minha mente.
Eu havia passado por uma grande desilusão. Lembrei-me de quando brincava em montes de
areia e das minhas primeiras vezes visitando o mar. Estava emocionalmente abalada, porém,
minhas ideias estavam amadurecendo. Comparei minha situação a um castelo de areia. (Por
algum tempo, meus pais trabalharam com material de construção e mantiveram um deposito
de areia). Quando tinha a oportunidade de ir ao deposito eu não perdia a chance de brincar.
Passava horas acrescentando detalhes ao meu ‘castelo’ e por fim tudo o que eu havia
construído se desfazia. Da mesma forma acontecia quando brincava na areia da praia, com o
acréscimo das ondas do mar a derrubar minha construção.
Eu associei minha desilusão a esta imagem. Um castelo de areia se desfazendo. Havia sonhado
com uma situ…

Não tenho o sino como opção

Havia chegado novamente a ocasião de passar minhas roupas. Não gosto muito desta atividade e para amenizar o tédio sempre coloco mensagens ou músicas para ouvir. E naquele dia fiz o mesmo processo. Armei a banca de passar e programei uma pregação no computador. Escolhi ouvir o pregador Elias Limones. Ele é pastor de uma igreja na Califórnia nos EUA e ministra cultos em espanhol e inglês. Amo espanhol e a ‘predicacion’ escolhida tinha como tema: ‘Eliminando la opción de retroceder’. A ilustração usada para o desenvolvimento da mensagem foi a história contada no livro “O único sobrevivente” de Marcus Luttrell. Ele tem uma narrativa bastante intensa sobre os SEALs (são os soldados mais bem treinados dos EUA). Eu já tive a oportunidade de ler o livro e também já tinha escutado outra mensagem com base na sua narrativa.  Segui passando minhas roupas enquanto o pregador desenvolvia sua mensagem. Estava ficando interessante e eu sabia onde ia chegar. Não é preciso dizer que meu tédio passou ra…