domingo, 18 de dezembro de 2016

E se?

O primeiro voo é sempre mais tenso que os próximos. Lembro-me a primeira viagem que fiz. Fui com uma amiga de Curitiba para Campinas. Era a primeira vez que voaria e a primeira vez da minha amiga também. Claro que nos assustamos com a decolagem e com o pouso, mas no demais ficamos felizes com a experiência. Depois da estreia não queria mais viajar de ônibus. São muitas as razões para escolher avião. Menos horas de viagem, menos barulho, menos odores, enfim, bem menos incômodos.
Morei por um tempo em Curitiba e por vezes voei para Uberlândia para visitar minha família. Acostumei. As longas e intermináveis horas de viagem pela rodovia não me fazem falta.
Porém, em minha ultima viagem, me senti ansiosa. Comprei as passagens no finalzinho de novembro. Estava super feliz. Minha viagem para o sul estava garantida e se tudo corresse bem eu visitaria minha irmã e sua família e ainda aproveitaria um tempinho em Florianópolis, seria demais!
No dia seguinte, da compra da passagem, soube do trágico acidente aéreo com a equipe de futebol da Chapecoense. Uau foi uma pancada! Que notícia triste. Só se ouvia sobre este assunto nos dias seguintes, obviamente nem poderia ser diferente. Quantas famílias chorando a perda dos seus entes queridos...
Alguns dias depois a imprensa noticiou outros acidentes aéreos. Aliás, sempre está noticiando. Porem, quando você está com viagem marcada parece que fica com a atenção voltada a estas notícias. Ou só acontece comigo?
Pois é, o dia da viagem chegou. Abracei meus pais na despedida com o coração muito apertado. Eu poderia estar abraçando eles pela última vez.
Cheguei ao aeroporto, despachei a bagagem e entrei para a sala do embarque. Conferi o sinal de wi-fi e a primeira coisa que fiz foi mandar um “Oi” no grupo da família. Pois é, fiz isto sim para dizer a todos da minha família que amo cada um deles. Aquela poderia ser a última mensagem...
Não sei se é pessimismo. Talvez seja só a consciência chamando para a realidade. E se?
A pior (e a melhor) pergunta que existe é esta: E se?
E se for a última vez? E se for a última despedida? E se for o último sorriso, abraço, reconciliação, pedido de perdão?
Graças a Deus a viagem correu bem. Fui e voltei (e aproveitei a minha viagem) em segurança. Graças a Deus!
A pergunta ainda está fazendo efeito. E se?
O que posso fazer melhor? O que vale a pena? O que não vale?
Que neste restinho de ano eu e você sejamos tomados desta consciência que a vida é curta e o tempo voa.
Boas festas para você e seus queridos!