quarta-feira, 25 de maio de 2016

Crítica - Croqui ou Manequim?

No ano de 2003 eu aproveitei meu tempo ocioso para melhorar minhas habilidades de desenho. Matriculei-me num curso de estilismo. Imaginava que aquele curso poderia me ajudar com os traços humanos. Melhorei bem. Vi um progresso nos meus desenhos. Não estava preocupada com moda, não era o meu objetivo. Durante o curso falamos muito sobre a estilização da forma, um recurso muito usado nesta área. Estilizar é desenhar modificando; alongando, afinando, torcendo, achatando, mas mantendo uma ideia do original. Basta lembrar-se daquele desenho do estilista, o croqui usado como base para desenhar roupas. Geralmente é um desenho de um corpo muito alongado, com braços pernas e coluna em posições contorcidas e que marcam bem a cintura ou quadris dependendo do detalhe que se quer realçar. 
A lembrança desse assunto me veio quando passeava por um shopping em Curitiba. O empreendimento foi inaugurado em 2003. Voltado para um publico de alto padrão ele conta com lojas de grifes nacionais e internacionais. Não é a primeira vez que ando por lá. O shopping não restringe visitas (risos). Porém, desta vez olhando para as vitrinas, me deparei com uma que me deixou bem reflexiva. 
Vi manequins bastante estilizados, com pernas e braços muito alongados, colunas contorcidas, esqueléticos lembrando um croqui de moda. O problema é que não se trata de desenho. Aqueles manequins expõem roupas à venda. Não penso que a loja trabalha apenas com tamanhos pequenos. A questão nem é esta. Mas, a sensação que tive ao olhar para a vitrina é que a loja faz um culto à magreza. E nós sabemos que os excessos são prejudiciais à saúde. Tanto a magreza quanto a obesidade. Aquela vitrina me fez pensar em anorexia e bulimia, distúrbios alimentares geralmente presentes em pessoas que desejam se enquadrar num padrão de beleza não alcançável. 
Se a intenção da loja é chamar a atenção do consumidor, não é para o seu produto que está chamando a atenção, mas para sua atitude. Eu amo design. Sei apreciar uma boa ideia. Também sei que vitrinismo é uma profissão. Existem pessoas que estudam para decorar vitrinas, pensar no layout, na melhor forma de expor produtos, explorar cores e formas. Mas, esta loja extrapolou na sua criatividade e inovação passando uma imagem negativa. Os distúrbios alimentares são reais, causam graves danos à saúde. Anorexia e bulimia são assuntos que deveriam ser levados em conta na hora de montar uma vitrina. Há muitas formas de chamar a atenção do consumidor e com certeza esta não foi a melhor.
Se você conhece alguém que sofre com distúrbios alimentares incentive-o a procurar ajuda médica! Cada individuo tem um tipo físico diferente. Cuide da sua saúde e não sofra com um padrão de beleza inatingível. 

Obs.: A Loja que me chamou a atenção fica no Pátio Batel (no piso L1) em Curitiba. Não dá para não notar sua vitrina...

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