quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Memoriais

Num dia destes fiquei por um tempo olhando imagens do Memorial do 11 de Setembro erguido em Nova York onde ficavam as torres gêmeas do World Trade Center derrubadas após o choque com aviões pilotados por terroristas. O monumento que lembra as vítimas dos atentados é uma obra linda composta por dois espelhos d’água com fluxo contínuo, cercados por muitas árvores. Os nomes das quase 3.000 vítimas foram escritos em bronze nas bordas das piscinas. Ao olhar para as imagens do memorial percebi como a queda de água e os formatos das piscinas dão a sensação de queda constante, a tradução exata do que o memorial pretende; marcar a constante ausência no ambiente.
Como já escrevi em outra ocasião, não é necessário ser norte americano para lembrar-se do dia 11/09/2001 com peso no coração. A mídia mostrou para o mundo detalhes do atentado. A destruição, o assombro, a dor, o medo e as incertezas foram vistos por milhares.
Certamente se um dia eu for à Nova York vou desejar visitar o marco zero. Vou olhar e ler os nomes impressos no bronze. Vou sentir o peso e a sensação que a queda da água provoca ouvindo o barulho. Vou ver pessoas chorando. Vou ver a saudade e a dor estampada no olhar das pessoas. Vou “ouvir o silêncio”...
Porém, eu jamais sentirei o mesmo que um sobrevivente daquele atentado. Eu jamais sentirei a dor de alguém que perdeu um amigo, um familiar, um grande amor, um mestre...
O meu olhar nunca será igual ao de uma pessoa que tem uma história naquele lugar. Por mais que eu me emocione, por mais que eu perceba todo o significado daquele memorial.
Porque só alguém que tem uma história pode compreender suas memórias.
Por isso é que muitas vezes você pode se emocionar com as histórias dos outros, pode respeitar a fé dos outros e até mesmo dar o seu ombro amigo e dali a pouco dar as costas e voltar para sua realidade. Como faz um mero turista no marco zero em Nova York.
As memórias são para serem preservadas e tirar delas o aprendizado para seguir avante. Elas nos fazem lembrar que sempre haverá uma canção, um lugar, uma paixão, um erro e um aprendizado. Sempre!
Sempre haverá um sorriso, uma comida especial, uma carta, uma caneta e um papel em branco esperando por uma nova história. Como dizem por aí... Não importa como você começou, importa como você escreverá a história daqui para frente.
Use suas memórias para dar um salto na vida!

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