domingo, 14 de outubro de 2012

Os mercadores de Jerusalém

Tive a oportunidade de ler um livro há muito tempo que me inspirou de maneira muito significativa. Trata-se de um comentário minucioso do livro bíblico Neemias. Apaixonei-me por esse personagem e por sua ousadia, liderança eficaz e eficiência. Não sei dizer quantas vezes já mencionei as palavras contidas naquele livro, mas posso assegurar-te que ele mudou minha percepção de liderança e continua a me inspirar.
Ele faz uma observação interessante (dentre tantas) e nos chama a atenção para um grupo de judeus no cap. 4 que não estavam envolvidos na construção dos muros. Eram mercadores que saiam da cidade para compra de produtos longe dos portões e voltavam para a cidade depois de comprar e negociar com outros “povos”.
Estes outros judeus por conta do trânsito que faziam levavam para dentro dos portões notícias dos inimigos. Eles foram responsáveis em dado momento por espalhar a descrença entre aqueles que já estavam cansados fisicamente de trabalhar na construção dos muros. Aqueles que dedicavam suas forças e sentimentos no trabalho de edificação foram atacados na emoção por aquelas noticias que os outros traziam.
Essa observação é tão importante porque mostra outro lado de um trabalho. Existe um grupo que se dedica, se esforça sua, chora... Sente o ardor da labuta. Está atento para os sons, alerta com os movimentos. Vê os muros subirem tijolo por tijolo. Empunha as ferramentas de construção e se necessário armas para a peleja. É o grupo ativo. E de outro lado existe outro grupo que está preocupado com outras questões. Transita entre a cidade, sai pelas portas e anda entre o inimigo. Sabe do movimento que está dentro da cidade e sabe do movimento fora dos portões. Tem amizade cá e negócios lá. Relações aqui e ali. Não tem posicionamento. Não é a favor nem contra. Não é posição nem oposição. Estes não têm parte na obra. São ou estão inativos.
Suas palavras podem servir como alerta, porém ao mesmo tempo podem disseminar a dissolução entre os trabalhadores. Estes dois grupos de pessoas existem em qualquer contexto. É atual.
Neemias edificou os muros em 52 dias e os que estavam com ele tiveram motivos para comemorar. Suas famílias estavam seguras. Homens mulheres e crianças puderam se alegrar com a vitória conquistada com muito esforço, suor e trabalho.
Os outros... Não são mencionados. Por quê? Não tinham parte no resultado conquistado.
Precisamos abrir os olhos para enxergar a realidade e nos posicionar em algum grupo. Ou seremos ativos e teremos parte na obra ou nossa inatividade causará dano à obra. Transitar entre um e outro grupo não traz nenhum beneficio individual, familiar ou social.    

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