segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Em algum lugar na prateleira

Hoje estive num lugar fantástico, quer dizer, pelo menos deveria ser. Deveria ser um oásis para quem gosta de ler, mas não, não é.
Trata-se de uma livraria que trabalha com ponta de estoque. É um negócio super interessante porque não dispõe de livros usados. Como eles mesmos dizem, não é um sebo.
São muitos títulos de segmentos variados com baixo custo. Resumindo, eles têm um potencial enorme.
Sabe quando você procura um livro numa livraria e a resposta que obtém é que está indisponível? Significa que foi limpo das prateleiras porque não deu retorno financeiro.
Pois é. Esses mesmos livros são disponibilizados nessa livraria em questão.
O problema, no entanto é que os livros são apenas acomodados nas prateleiras sem nenhum critério de organização. Na verdade até que alguns (mais lógicos) são classificados em algum lugar. Não há uma lista por ordem alfabética, nem por nome de autor, nem um sistema de auto-atendimento para pesquisa. Nada facilita sua procura por um título.
Se quiser saber se eles têm o livro desejado precisa dispor de muito tempo e paciência com uma boa dose de sorte para encontrá-lo.
A vendedora daquele lugar é bem no estilo da livraria. Desinteressada e perdida no meio de uma “montanha de livros”.
Que pena! Aquele lugar tem um potencial tão grande...
Saí dali com um livro que achei por acaso. Por coincidência o título dele é Os 10 mandamentos da inovação estratégica. Bem... Quem o colocou ali na prateleira não deve ter se atentado para seu conteúdo. Afinal, ele era apenas mais um número de livros que acabara de chegar.
Fiquei muito impressionada com o que vi, pensando o quanto aquele negócio poderia ser rentável. Não tem como não repetir essa palavra: potencial.
Infelizmente o potencial daquela livraria está como seus livros, perdido em algum lugar na prateleira.
É uma perda muito significativa diante do que eles têm. 
Levaria tempo organizar os livros, muito tempo. E quem é que tem tempo para isso? Não é mesmo? É uma justificativa muito forte. Mas é o negócio. Se eles o mantém é porque dá lucro. Imagina se exploram um pouco mais seu potencial? O lucro seria maior. A propaganda boca a boca seria positiva e poderiam expandir os negócios.
Talvez haja alguma boa razão pela qual não fazem essas mudanças. Sei lá. Deve ter alguma explicação. O fato é que um potencial inexplorado é um desperdício.
E se tomarmos como exemplo essa livraria? Que trágico seria.
Na verdade é mais cômodo viver nas prateleiras, jogados de qualquer maneira. Menos tempo aplicado, menos trabalho, menos esforço intelectual e físico. Mas é um tremendo desperdício não explorar a vida que Deus nos deu.
Espero poder maximizar muito mais meu potencial e desejo o mesmo para você. Não o deixemos perdidos em algum lugar nas prateleiras da vida. 

2 comentários:

Miriam disse...

Meu Deus, quanta inspiração para um "passeio" não muito bem sucedido. Mas concordo 100%, excelente reflexão! Beijos,

Débora Polycarpo disse...

Pequena Daphnne, bom dia outra vez...
A correria do dia a dia não me permite, muitas vezes, deter-me para degustar suas reflexões. Digo degustar porque realmente suas palavras são um prato apetitoso e bom aos olhos. Que posso dizer-lhe, além de que você cresceu muito literalmente falando. Se já era bom ler-te, está ainda melhor. Um excelente dia pra você.