sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Quando Deus nos faz perguntas

Hoje pela manhã me lembrei do conselho de um professor do ensino médio. Ele disse que um aluno quando interrogado por um professor e não sabendo responder a pergunta deveria devolvê-la ao mestre para que pudesse obter a resposta de quem tem o conhecimento da questão.
As aulas daquele professor a partir daquele momento se tornaram mais dinâmicas e o índice de aprendizado aumentou significativamente.
Sempre achei interessante a possibilidade de aprendizado e crescimento que as perguntas nos proporcionam e isso quando sabemos e quando não sabemos a resposta.
Quando sabemos a resposta temos a possibilidade de compartilhar o conhecimento e quando não sabemos temos a oportunidade de adquirir conhecimento e ambas as coisas são necessidades essenciais do ser humano.
Existem três passagens bíblicas que gosto de ler para meditar sobre perguntas.
A primeira é a história de Jó. O livro de Jó está cheio de interrogações. Gosto muito quando Deus diz a Jó no início do cap. 38: Ok! Você já perguntou e eu te respondi agora vou inverter, eu vou te perguntar e você me responde. (palavras minhas)
Então segue uma seqüência de perguntas de Deus para Jó e fico imaginando a face dele para Deus como que dizendo, uau! Não havia pensado nisso! É realmente uma pergunta e tanto! (e em seguida querendo devolver a pergunta para o mestre).
Chegamos então no cap. 42 no verso 2 onde ele responde: Bem sei que tudo podes e nenhum dos teus propósitos pode ser impedido. Vejo aqui uma resposta inteligente e humilde. Um reconhecimento de que ele não sabia responder aquelas questões, mas o mestre tinha esse poder e sabedoria.
A segunda passagem é a visão do vale de ossos secos descrita em Ezequiel cap. 37. Deus faz o profeta passar pelo vale e o mostra a quantidade de ossos e o estado em que eles se encontravam: sequíssimos. A seguir pergunta a ele se aqueles ossos poderiam tornar a vida. Consegue imaginar a face do profeta diante dessa pergunta?
Perplexa, não? Sem devolver a pergunta ao mestre ele responde: Senhor Deus, tu o sabes. Mais uma vez uma resposta inteligente reconhecendo a limitação humana de entendimento e poder e ao mesmo tempo reconhecimento da supremacia de Deus.
Terceira e última passagem é o dialogo de Jesus e Pedro após a ressurreição. Jesus pergunta a Pedro três vezes se ele o ama. Pedro responde que sim na primeira vez, na segunda e por fim ele acrescenta: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo.
Eu vejo nessa resposta um quebrantamento, humildade e reconhecimento da parte de Pedro. Acho essa pergunta muito, mas muito mesmo, difícil de responder e para qualquer pessoa. Amor é algo tão profundo e complexo! Pedro sabia que antes da crucificação ele havia dito que ia com Jesus até o fim e no momento crucial não conseguiu vencer suas limitações para sustentar suas palavras. Ele havia negado seu mestre. Eu vejo nessa resposta de Pedro esse reconhecimento. Apesar de amar Jesus ele era fraco, ele o havia traído. Apesar do amor voltou atrás na sua decisão. Então na sua terceira resposta ele acrescenta essas palavras. Tu sabes tudo. Que coisa extraordinária! Que sinceridade! Agora sim, a resposta estava correta. Mais uma vez o reconhecimento...
Caro leitor, quantas vezes estamos nessa situação questionando Deus de um lado para outro querendo ouvir dele as respostas que supomos acalmariam nosso coração? 
Ele inverte as coisas e nos faz perguntas e finalmente nós nos vemos sem argumentos e tudo que podemos responder é: Tu sabes tudo.
Quando fazemos essa afirmação, algo como brisa suave toma conta do nosso ser e por fim conseguimos respirar aliviados. Enchemos-nos de confiança e esperança porque Ele sabe todas as coisas e está no controle! 

Um comentário:

Débora Polycarpo disse...

Pequena Daphnne, realmente vivemos bombardeando a Deus com nossos porquês, como crianças que querem saber das coisas tudo de uma única vez. Intrigante, sem dúvidas, ter Deus nos questionando. Independente da personalidade de cada um, penso que a primeira tentativa é mostrar para Ele que somos conhecedores de alguma coisa. E em meio ao fracasso a segunda reação seria a negação de tal conhecimento. Creio que nunca devolvi a pergunta a nenhum professor e se o fiz, foi no tom de brincadeira. (rsrsrsr). Sua reflexão nos leva a compreensão de que somos tão pequeninos diante de Deus, mas tão pequeninos, que não nos resta outra saída a não ser nos render as suas misericórdias e experimentar suas benevolências. Abraços!