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Crônicas do Cotidiano - Um mundo á parte


Falo de dentro do ônibus... deste “mundo” paralelo ao real. Sim, porque o que se passa aqui dentro é diferente de tudo que se vive por fora.
Vê-se de tudo. Gente bonita e gente “desprovida de beleza”. Tem aqueles que estão acostumados com o “convívio” no ônibus e aqueles que não conseguiram funcionar o carro de manhã e tiveram este veículo como única opção! Estes são mais difíceis... Reclamam se alguém esbarra, ou se o motorista arranca bruscamente, pura falta de costume!
Existem também aqueles velhos amigos que se encontram e por um breve momento querem colocar as conversas em dia. Revelam segredos, trocam notícias da velha turma... Trocam boas novas e até mesmo compartilham as lembranças dos que já passaram desta vida. Há também os estudantes... Com suas pastas e mochilas enormes (falo agora com experiência). Quando entram uns sorriem outros estão cansados. Passei por várias experiências inusitadas... Tive que passar pela “catraca” com minha pasta enorme e com a régua saindo um tanto para fora da pasta (material usado por designers, arquitetos e engenheiros). Também já carreguei escultura e tubo onde se guarda projetos em papéis (parecia mais uma bazuca). Cada vez que tinha estes objetos em mãos reparava que me tornava alvo de atenção, embora, preferisse não ser notada! Como? (devo contar que minha pasta é rosa choque onde fixei um adesivo do Smiley?).
Posso dizer que já senti emoções diversas também. Já até chorei...
Ajudei alguns a encontrarem um assento por lhe faltarem a visão. Já cedi o meu lugar para senhores e senhoras... Já gritei com desespero ao ver que o motorista arrancaria com o ônibus enquanto uma criança ainda com dificuldades descia tentando não perder de vista sua mãe... Chorei disfarçadamente por ver pessoas com suas deficiências dando demonstração de carinho e afeto e por perceber que gozo de saúde e perfeito funcionamento do meu corpo e tenho dificuldades de expressar meus sentimentos...
É Assim, neste mundo á parte que sigo o meu percurso de faculdade para a casa, avisto o próximo ponto onde terminarei meu trajeto e finalmente deixarei para trás este convívio... Sem saber qual será o caminho dos que deixei ali dentro. Com certeza amanhã novas pessoas preencherão os lugares daquele ônibus. Novas histórias serão contadas... Novos amigos se reencontrarão e novas emoções surgirão construindo assim as crônicas da vida aqui fora.

Comentários

Cátia Santos disse…
Olá Daphnne!
Ótima esta crônica.Me recordei agora de várias vezes em que passei por estes mesmos momentos em que passastes. Eles se foram e nunca mais voltarão. Isto faz nós refletirmos que os momentos são únicos e que cada dia mais devemos aproveitá-los para realizar boas obras e deixar nossa marca de Cristo por onde andamos.
Fique na PAZ!
Um abraço.
Anônimo disse…
É Daphninha.... a cada dia me surpreendo mais com vc... E ao mesmo tempo me sinto mais distante!É como se vivessemos em planetas distintos, e nosso contato fosse realamente impossível.
Tb tenho diversas experiências de dentro de ônibus, situações que me fizeram sentir diferentes sentimentos. E pra te falar a verdade não tenho saudade. Sei que hj estou um tanto insocial, estou numa fase esquisita, quero ter gente por perto mas ao mesmo tempo quero silêncio, estou perdendo a fala, a vontade de ficar na multidão. Espero que isto passe logo, pq é bem chato, quero me aproximar e me afastar ao mesmo tempo.
Bem... vc é incrível... espero que voe, muito alto e conquiste todos os seus sonhos, alguém tem q conseguir, não é mesmo?!
Beijos Debypoly

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